explica-se... na família, muito morena, nasce a loirinha aqui. meu avô olha, olha... e solta essa, nasci branca por cruza, algo deveria explicar...
aqui apenas os fatos são inventados
o essencial da arte é exprimir;
o que se exprime não interessa
fernando pessoa
28.12.04
Romildo S. Bastos e Toninho
É água no mar, é maré cheia ô, mareia ô mareia,
é água no mar
É água no mar é maré cheia ô mareia ô mareia
Contam que toda tristeza que tem na Bahia
Nasceu de uns olhos morenos molhados de mar
Não sei se é conto de areia ou se é fantasia
Que a luz da candeia alumia pra gente contar
Um dia a morena enfeitada de rosas e rendas
Abriu seu sorriso de moça e pediu pra dançar
A noite emprestou as estrelas bordadas de prata
E as águas de Amaralina eram gotas de luar
Era um peito só cheio de promessa era só
Era um peito só cheio de promessa era só
Quem foi que mandou o seu amor se fazer de canoeiro
O vento que rola nas palmas arrasta o veleiro
E leva pro meio das águas de Iemanjá
E o mestre valente vagueia olhando pra areia sem poder chegar
Adeus amor, adeus meu amor não me espere
porque eu já vou me embora
Pro reino que esconde os tesouros de minha senhora
Desfia colares de conchas pra vida passar
E deixa de olhar pro veleiro
Adeus meu amor eu não vou mais voltar
Foi beira-mar, foi beira-mar quem chamou
Foi beira-mar ê, foi beira-mar
22.12.04
21.12.04
la barca
Roberto Cantoral
Dicen que la distancia es el olvido,
pero yo no concibo esa razón,
porque yo seguiré siendo el cautivo
de los caprichos de tu corazón.
Supiste esclarecer mi pensamiento,
me diste la verdad que yo soñé,
ahuyentaste de mí los sufrimientos
en la primera noche que te amé.
Hoy, mi playa se viste de amargura,
porque tu barca tiene que partir,
a buscar otros mares...de locura.
Cuida que no naufrague tu vivir...
Cuando la luz del sol se esté apagando
y te sientas cansada de vagar,
piensa que yo por tí estaré esperando
hasta que tú decidas regresar.
20.12.04
tô escrevendo muito.
17.12.04
verdade, tira muito da emoção do mundo. mas muito das preocupações também. de repente, tudo fica mais simples assim...
imagina que na minha ex escolinha tem um estacionamento. e alguns carros começaram a aparecer riscados. e foram tentar descobrir o que era. depois do terceiro dia que apareceram carros riscados, os seguranças armaram uma tocaia. e viram um senhor, de seus 70 anos, riscando carros. foram falar com ele e ele fugiu. sim, fugiu. e não voltou pra buscar o carro dele no estacionamento até umas 8 da noite. foi avisado de que o diretor queria falar com ele. disse que ele nao fez nada. repetia isso sem parar. mas disse que ia no dia seguinte de terno falar com o diretor. meu amigo, o diretor, disse que vai de bermudas. aparentemente ele só risca carros que param mal na vaga. pode funcionar como uma ameaça. pare seu carro direitinho, se não o riscador maluco vai riscar ele todinho...
16.12.04
13.12.04
10.12.04
Caetano Veloso
Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza que me aconteceu
Esfregando a pele de ouro marrom do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel
Enquanto os pelos dessa deusa tremem ao vento ateu
Ela me conta com certeza tudo o que viveu
Que gostava de política em mil novecentos e sessenta e seis
E hoje dança no frenetic Dancin’ Days
Ela me conta que era atriz e trabalhou no Hair
Com alguns homens foi feliz, com outros foi mulher
Que tem muito ódio no coração, que tem dado muito amor
E espalhado muito prazer e muita dor
Mas ela ao mesmo tempo diz que tudo vai mudar
Porque ela vai ser o que quis inventando um lugar
Onde a gente e a natureza feliz
Vivam sempre em comunhão
E a tigresa possa mais do que o leão
As garras da felina me marcaram o coração
Mas as besteiras de menina que ela disse, não
E eu corri pro violão, num lamento, e a manhã nasceu azul
Como é bom poder tocar um instrumento
9.12.04
8.12.04
Caetano Veloso
Pálpebras de neblina
Pele d’alma
Lágrima negra tinta
Lua lua lua lua
Giulietta Masina
Ah, puta de uma outra esquina
Ah, minha vida sozinha
Ah, tela de luz puríssima
(Existirmos a que será que se destina?)
Ah, Giulietta Masina
Ah, vídeo de uma outra luz
Pálpebras de neblina
Pele d’alma
Giulietta Masina
Aquela cara é o coração de Jesus
© Editora Gapa
Caetano Veloso
Eu sou apenas um velho baiano
Um fulano, um caetano, um mano qualquer
Vou contra a via, canto contra a melodia
Nado contra a maré
Que é que tu vê, que é que tu quer,
Tu que é tão rainha?
Branquinha
Carioca de luz própria, luz
Só minha
Quando todos os seus rosas nus
Todinha
Carnação da canção que compus
Quem conduz
Vem, seduz
Este mulato franzino, menino
Destino de nunca ser homem, não
Este macaco complexo
Este sexo equívoco
Este mico-leão
Namorando a lua e repetindo:
A lua é minha
Branquinha
Pororoquinha, guerreiro é
Rainha
De janeiro, do Rio, do onde é
Sozinha
Mão no leme, pé no furacão
Meu irmão
Neste mundo vão
Mão no leme, pé no carnaval
Meu igual
Neste mundo mau
7.12.04
Milton Nascimento/Caetano Veloso
Ê vida vida que amor brincadeira, à vera
Eles amaram de qualquer maneira, à vera
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor vale amar
Pena que pena que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor vale amar
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor valerá
Eles partiram por outros assuntos, muitos
Mas no meu canto estarão sempre juntos, muito
Qualquer maneira que eu cante esse canto
Qualquer maneira me vale cantar
Eles se amam de qualquer maneira, à vera
Eles se amam é prá vida inteira, à vera
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá
Pena que pena que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá
nunca fui fã desse feriado. filha de pais separados, era o feriado do meu pai. e era chato toda vida. feriado de adultos. eu não ganhava presentes, eu não era paparicada... passei a tomar toda a champanhe do meu pai, e, pra orgulho dele, uma noite avisei que a champanhe que ele tinha comprado (a viúva, sempre a melhor) em garrafinhas pra mim estava passada. e estava. avinagrou, fazer o que? abriu outra garrafa pra mim... depois eu dormia o sono dos justos. e acordava e contava as horas pra voltar pro rio. que eu detestava estar longe de tudo. olhando pra trás, eu reclamava de barriga cheia. hoje em dia eu adoraria esse feriado com a família, em angra, bebendo champanhe (de verdade, bom champanhe faz uma diferença)... na época, eu só achava que não era festa pra criança...
6.12.04
3.12.04
pois, a lista era sobre as obras de arte mais influentes do século XX. e a obra mais influente era o urinol do duchamp. e o jornalista acha que a lista é discutível porque o picasso ficou em segundo. mas não é (pelo menos não por causa disso). nada mudou tanto o conceito de arte, a visão de arte que existe no mundo quanto a anti arte do duchamp. eu posso não me emocionar com isso. mas quem disse que arte é pra se emocionar? arte, como já dizia da vinci, é um processo cerebral. não é o desenho. não é a beleza. é o intelecto, o saber que é arte, que torna aquilo arte. é uma relação com o objeto, e não o objeto em si. e isso foi explicitado pela primeira vez com duchamp. e ele é imprescindível. a lista é discutível porque talvez o objeto não tivesse nada a ver com isso. mas só.
a arte não é retínica Marcel Duchamp
2.12.04
Manacéa
Ah, quantas lágrimas eu tenho derramado
Só em saber que não posso mais reviver o meu passado
Eu vivia cheio de esperança e de alegria
Eu cantava, eu sorria
Mas hoje em dia eu não tenho mais
A alegria dos tempos atrás
Mas hoje em dia eu não tenho mais
A alegria dos tempos atrás
Só melancolia os meus olhos trazem
Ai, quanta saudade a lembrança faz
Se houvesse retrocesso na idade
Eu não teria saudade da minha mocidade...
Comunicação e Diferença :
uma filosofia de guerra para uso dos homens comuns
de Marcio Tavares d´Amaral
DIA 02 DE DEZEMBRO
19h
LIVRARIA CASA DA CULTURA
R. REAL GRANDEZA, 190 - BOTAFOGO
tel: 2286-1252
estacionamento no local
DEBATE COM EMMANUEL CARNEIRO LEÃO, FREI BETO E MARCIO TAVARES d´AMARAL
Neste seu novo livro, o filósofo brasileiro, professor da Escola de Comunicação da UFRJ, revela sua convicção de que, mantida a tendência globalizante de anulação da alteridade, de eliminação das diferenças, o mundo corre o risco de morrer. Contra isso, o livro propõe uma guerra em favor das diferenças, passando em revista os conceitos filosóficos que marcaram o pensamento moderno e contemporâneo. O livro trata de temas como sofrimento e compaixão, fraternidade e gentileza, entre outros, buscando fornecer munição intelectual ao ser humano, do mais simples ao mais sofisticado, na luta contra a pulsão de morte que atravessa a sociedade e o pensamento contemporâneos.
www.editora.ufrj.br
2541-7946
1.12.04
30.11.04
29.11.04
26.11.04
25.11.04
24.11.04
23.11.04
o livro lançado fala sobre a juventude do luis martins na lapa. lapa dos anos 30, que os anos não trazem mais. a menina, meio desinformada, vira na lata, pra senhora que vendia os livros que queria ter vivido naquela época, nos anos 50. desconhecimento de história e da lapa, vá lá. mas nem ler a contracapa...
22.11.04
19.11.04
18.11.04
das cenas divertidas, incluindo a fauna do local (meu deus, de onde saiu tanto gringo e engravatado, me explica...), a melhor era o pobre garçom, que limpava a mesa de minuto em minuto. nem um cigarro era aceso até o fim antes de ele trocar o cinzeiro. fiquei com dó, mas achei graça. tava parecendo um caso de toc (trantorno obsessivo compulsivo), algo como a mesa não pode ficar suja... mas acho que era só ordens da casa. todas as mesas estavam impecáveis toda a noite.
17.11.04
16.11.04
12.11.04
Fernando Pessoa
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
11.11.04
Adriana Calcanhotto
Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos modos
Não gosto
Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos modos
Não gosto
Eu aguento até os estetas
Eu não julgo a competência
Eu não ligo para etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
Eu compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos modos
Não gosto
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem…
a título de curiosidade, branca por cruza é o seguinte: quando eu nasci, branca e loura, meu avô olhou e disse duas coisas. a primeira era que minha mãe tinha sido incubadora, porque eu era a cara do pai. a segunda, que eu tinha nascido branca por cruza, que na família não tinha nenhum branco azedo assim que ele lembrasse...
Claudinho e Buchecha
Avião sem asa, fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola. Piu-Piu sem Frajola
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim
Amor sem beijinho,Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço, namoro sem abraço
Sou eu assim sem você
To louco pra te ver chegar
To louco pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço, retomar o pedaço
Que falta no meu coração
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Neném sem chupeta, Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada, queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes vão poder falar por mim
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Por que?
Chico Buarque/1972
Para o filme Quando o carnaval chegar de Cacá Diegues
Quando eu canto
Que se cuide
Quem não for meu irmão
O meu canto
Punhalada
Não conhece o perdão
Quando eu rio
Quando eu rio
Rio seco
Como é seco o sertão
Meu sorriso
É uma fenda
Escavada no chão
Quando eu choro
Quando choro
É uma enchente
Surpreendendo o verão
É o inverno
De repente
Inundando o sertão
Quando eu amo
Quando amo
Eu devoro
Todo o meu coração
Eu odeio
Eu adoro
Numa mesma oração
Quando eu canto
Mamie, não quero seguir
Definhando sol a sol
Me leva daqui
Eu quero partir
Requebrando um rock and roll
Nem quero saber
Como se dança o baião
Eu quero ligar
Eu quero um lugar
Ao som de Ipanema, cinema e televisão
João Donato/Chico Buarque/1987
Para o filme Quando o carnaval chegar de Cacá Diegues
Me dê noticia de você
Eu gosto um pouco de chorar
A gente quase não se vê
Me deu vontade de lembrar
Me leve um pouco com você
Eu gosto de qualquer lugar
A gente pode se entender
E não saber o que falar
Seria um acontecimento
Mas lógico que você some
No dia em que o seu pensamento
Me chamou
Eu chamo o seu apartamento
Não mora ninguém com esse nome
Que linda a cantiga do vento
Já passou
A gente quase não se vê
Eu só queria me lembrar
Me dê noticia de você
Me deu vontade de voltar
9.11.04
Manoel de Barros
I
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com
faca
b) 0 modo como as violetas preparam o dia
para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas
vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência
num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega
mais ternura que um rio que flui entre 2
lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
Etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.
IV
No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava
escrito:
Poesia é quando a tarde está competente para
Dálias.
É quando
Ao lado de um pardal o dia dorme antes.
Quando o homem faz sua primeira lagartixa
É quando um trevo assume a noite
E um sapo engole as auroras
IX
Para entrar em estado de árvore é preciso
partir de um torpor animal de lagarto às
3 horas da tarde, no mês de agosto.
Em 2 anos a inércia e o mato vão crescer
em nossa boca.
Sofreremos alguma decomposição lírica até
o mato sair na voz.
Hoje eu desenho o cheiro das árvores.
IX
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa
era a imagem de um vidro mole que fazia uma
volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta
que o rio faz por trás de sua casa se chama
enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro
que fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
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Citizenship on Delivery Extending a legal and social program for people with disabilities in Rio de Janeiro, by setting up a mobile office capable of reaching communities without access to it. Theme: Human Rights Location: Brazil Need: $66,500 | ![]() |
8.11.04
3.11.04
29.10.04
28.10.04
26.10.04
Carlos Drummond de Andrade
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
as coisas mudam de repente, ou voltam pro mesmo ponto e pegam a gente assim, meio desavisado, sem saber o que fazer, por mais que a gente finja que sabe exatamente o que fazer. e fingir vai virando um hábito. quase como acordar de manhã. a gente se acostumou a não pensar mais naquilo. afinal, foi resolvido. mas e se tudo pudesse ser diferente? e se as coisas tivessem acontecido de outro jeito? se o mundo fosse cor de rosa, a gente ficava mais feliz no final?
pior que acho que não... os ses iam continuar nos assombrando. a gente ainda ia se achar fingindo alguma coisa que não ia saber bem definir. quer dizer, pelo menos eu tenho a consciência de ser assim. e acho que faz parte da natureza humana, a tal da insatisfação. vem com a tal da curiosidade, acho. ou é só um vício meu. não sei de nada hoje...
25.10.04
20.10.04
19.10.04
eu sempre fui péssima em obedecer (respondona era o mínimo que eu ouvia quando eu era pequena). péssima em não questionar. péssima pra ter horas. não nasci pra isso não. tô procurando algum lugar onde ainda exista a tal da esquerda libertária pra poder me esconder...
trabalho? nem antes, nem depois. o almoço começa meio dia. sabe-se lá que horas termina. algo muito sério, não é todo dia que dona nazareth faz 80 anos. e convida os amigos pra ir em sua casa (sim, vão os amigos dela e a família, coisa pouca, um almoço pra 50 talheres...)
15.10.04
14.10.04
8.10.04
7.10.04
o cara aparece aqui pedindo pra usar o telefone. diz que tem uma hora as 3 com a chefe. são 11:30h. um pouco cedo. explica que bateu o carro, precisa do telefone pra ligar pro trabalho. claro que pode usar o telefone. isto posto, avisa que volta as 3 pra reunião. e pede, como quem não quer nada, 50 reais pra resolver um problema pro secretário. como assim? essa eu juro que não entendi. eu também quero 50 reais pra resolver uns problemas. se ainda fosse dinheiro pra pegar um taxi, um ônibus pra chegar no trabalho e pegar as coisas dele...
6.10.04
Ramones
Twenty-twenty-twenty four hours to go
I wanna be sedated
Nothin' to do and no where to go-o-oh
I wanna be sedated
Just get me to the airport put me on a plane
Hurry hurry hurry before I go insane
I can't control my fingers I can't control my brain
Oh no no no no no
Twenty-twenty-twenty four hours to go....
Just put me in a wheelchair and put me on a plane
Hurry hurry hurry before I go insane
I can't control my fingers I can't control my brain
Oh no no no no no
Twenty-twenty-twenty four hours to go I wanna be sedated
Nothin' to do and no where to go-o-o I wanna be sedated
Just put me in a wheelchair get me to the show
Hurry hurry hurry before I go loco
I can't control my fingers I can't control my toes
Oh no no no no no
Twenty-twenty-twenty four hours to go...
Just put me in a wheelchair...
Ba-ba-bamp-ba ba-ba-ba-bamp-ba I wanna be sedated
Ba-ba-bamp-ba ba-ba-ba-bamp-ba I wanna be sedated
Ba-ba-bamp-ba ba-ba-ba-bamp-ba I wanna be sedated
Ba-ba-bamp-ba ba-ba-ba-bamp-ba I wanna be sedated
Zeca Pagodinho
Descobri que te amo demais
Descobri em você minha paz
Descobri sem querer a vida
Verdade
Pra ganhar seu amor fiz mandinga
Fui a ginga de um bom capoeira
Dei rasteira na sua emoção
Com o seu coração fiz zoeira
Fui a beira de um rio e voltei
Uma ceia com pão, vinho e flor
Uma luz para guiar sua estrada
A entrega perfeita do amor
Verdade!
Descobri que te amo demais
Descobri em você minha paz
Descobri sem querer a vida
Verdade
Como negar essa linda emoção?
Que tanto bem fez pro meu coração?
Pra minha paixão adormecida?
Teu amor meu amor incendeia
Nossa cama parece uma teia
Teu olhar uma luz que clareia
Meu caminho tal qual lua cheia
Eu nem posso pensar te perder
Ai de mim esse amor terminar
Sem você minha felicidade
Morreria de tanto penar
Verdade!
- antes de mais nada, detestei o Yuka. ele surtou de vez. não tá lidando bem com ser cadeirante, chega a ser problemático pra quem trabalha em movimento ver aquilo. ainda por cima, todo paramentado de comunista na mtv. será que ele não percebe a contradição?
- o vestido da cicarelli. ela pode ser linda. como disse meu irmão, o ronaldinho é muito sortudo. mas aquele vestido... nem ela pode usar. nem o corpo dela fica bonito ali.
- no quesito roupa, a do otto era pior, tenho de dar o braço a torcer. ainda não entendi o que era aquilo.
- o som pifou o caetano deu um chilique. mais do que justificável o chilique, aliás. eu tinha feito pior.
- o que era o prêmio? ainda não entendi o que ele representava. a preta gil sugeriu que era a espada do heman.
- o marcos mion estava bronzeado. uma cor de cobre esquisita. aliás, como notou tiago, bronzeou até as palmas das mãos. e tava com um terninho de cetim branco e boné...
- ainda não entendi as diferenciações deles entre pop, rock e mpb. de repente é só a vontade na hora que vai dando...
- pra não dizer que eu só falei mal... adorei o número de abertura. achei muito bonito, com os violões, os cellos e o maracatu... e gostei do zeca pagodinho com as backing vocals de luxo. puseram um rap no meio, mas isso nem era o que interessa...
5.10.04
Arnando Brandão, Tavinho Paes E Robério Rafael
Linda como um neném
Que sexo tem, que sexo tem?
Namora sempre com gay
Que nexo faz tão sexy gay
Rock´n´roll?
Pra ela é jazz
Já transou
Hi-life, society
Bancando o jogo alto
Totalmente demais, demais
Esperta como ninguém
Só vai na boa
Só se dá bem
Na lua cheia tá doida
Apaixonada, não sei por quem
Agitou um broto a mais
Nem pensou
Curtiu, já foi,
Foi só pra relaxar
Totalmente demais, demais
Sabe sempre quem tem
Faz avião, só se dá bem
Se pensa que tem problema
Não tem problema
Faz sexo bem
Totalmente demais, demais
4.10.04
1.10.04
30.9.04
27.9.04
24.9.04
22.9.04
mas ontem até que valeu a pena. o auditório encheu. os discursos foram curtos. o concerto foi lindo, lindo. o joão carlos martins estava muito emocionado. e eu me emocionei com as obras tocadas. e em ver pessoas que não estão acostumadas com música clássica se emocionando.
uma delas fez a frase da noite. me disse que o maestro devia ter misturado as composições com música moderna, porque ela não gosta de música clássica e estava adorando aquilo. moderno. o bach que estava sendo tocado. não, definitivamente não é moderno. é deliciosamente barroco. e tem algo em se ouvir um cravo tocando que sempre me agrada...
21.9.04
20.9.04
pois este é o direito e a razão de quem não pede favor, senão justiça.”
Pe. Antônio Vieira
Marcando a passagem do dia nacional de luta da pessoa com deficiência, convidamos para a apresentação do Maestro João Carlos Martins regendo a Camerata Bach.
A força de superação e o compromisso com a vida demonstrados por João Carlos Martins após a perda dos movimentos das mãos são exemplos singulares dos ideais do IBDD.
Dia 21 de setembro, às 18:30 h, no auditório do BNDES – Av. Chile, 100 – Centro – Rio
Maestro João Carlos Martins
Merck S.A.
BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
IBDD - Instituto Brasileiro de Defesa de Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência
Entrada Franca
16.9.04
15.9.04
10.9.04
9.9.04
8.9.04
6.9.04
3.9.04
2.9.04
mas tenho ficado assustada. como se a guerra fosse algo prazeroso. se a discórdia e o assassinato fossem nada mais que fetiches. se a vida de outros homens não valesse nada comparado a uma vontade, a um capricho. nessas horas eu fico desencantada. e me esforço pra saber que a gente não deve perder a esperança; deve saber que a vida continua. e que tudo que a gente fala ou faz tem importância. reaprender a dar a outra face. a não brigar pelo que não precisa. e a brigar quando precisa. olhar pro outro. tão difícil olhar pro outro. tão clichê. mas necessário. saber que não são países, mas homens. não são partidos, mas gente... acreditar nas pessoas. lembrar de sempre me esforçar pra continuar acreditando...
1.9.04
conversava muito alto com suas amigas, e rb chamou a atenção dela, perguntou o que ela tanto falava, pediu pra comentar se fosse pertinente a aula, porque não queria dúvidas mal reslvidas sobre o assunto. o assunto era a subjetividade e objetividade da arte, e como jasper johns subverte as duas. assunto profundo e sério até demais. a mulher vai e tasca a dúvida dela:
porque não existiam artistas pop mulheres?
rb olha, meio atordoado, e responde:
em defesa dos pop, também não existiam artistas pop homens. eram todos viados.
melhor cena do ano. tá certo, é preconceituoso, mas ele mesmo reconheceu isso ao continuar a frase. disse que é o tipo de trivialidade que ele não está ali para discutir, que cada um que decida que tipo de arte quer ou não fazer. o que, na minha cabeça, era simplesmente óbvio.