24.2.05

ontem z foi de bendito fruto. tava engraçado. aquela mesa, com aquele bando de mulher, e ele só ouvindo... melhor foi a princesa explicando que hoje em dia a gente é muito mais light... acho que ele nem quis saber o que não era light...
o meu bar predileto agora tem um dj. e um som alto. eu preferia antes, acho... mas não tenho do que reclamar. eu queria mojito. não tinha hortelã. foram comprar. e eu pude beber meus mojitos em paz... e ainda ganhamos drink-brinde. apesar de eu ter ganho ele no colo depois...
ando com implicância com o ancelmo gois. não há de ser nada. mas alguém ainda acha que o niemeyer é tudo isso? o verbo deveria ser usado no passado, pra começar. ele foi muita coisa. é um ícone. como arquiteto, hoje em dia, é um pastiche de si mesmo. fora isso, hoje ele comemora um prédio do niemeyer que vai sair do papel na itália, ganhando uma causa contra uma ong ambientalista. funciona assim: se destrói o meio ambiente dos outros, mas o projeto é brasileiro, é legal, é maravilhoso. se destrói o nosso meio ambiente, mas o projeto é dos outros, é um absurdo e um crime ambiental. raciocínio cristalino.
preciso urgente parar de comer, antes que eu comece a virar a dona redonda...

23.2.05

Preparação para a Morte
Manuel Bandeira

A vida é um milagre.
Cada flor,
Com sua forma, sua cor, seu aroma,
Cada flor é um milagre.
Cada pássaro,
Com sua plumagem, seu vôo, seu canto,
Cada pássaro é um milagre.
O espaço, infinito,
O espaço é um milagre.
O tempo, infinito,
O tempo é um milagre.
A memória é um milagre.
A consciência é um milagre.
Tudo é milagre.
Tudo, menos a morte.
Bendita a morte,
que é o fim de todos os milagres!

PASÁRGADA
Manuel Bandeira

Vou-me embora para Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá terei a mulher que quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora para Pasárgada

Vou-me embora para Pasárgada
Aqui eu não sou feliz.
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca da Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe d’água
Para me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora para Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostituta bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
-Lá sou amigo do rei-
Terei a mulher que quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora para Pasárgada
podia ser em pasárgada também, já que eu tô numa fase manuel bandeira...
e se fosse tudo largado e eu fosse viver de brisa? ando pensando nisso tanto. ir viver no nordeste, anarina... ai que saudades daquelas terras. das praias, dos maracatus, do carnaval daquelas terras. saudades de comer caranguejo na praia. e de todos comerem caranguejo, veja como a cultura é diferente. não é selvageria dar com o porrete no caranguejo quebrando a casca. e comer um vatapá na beira da piscina. e me entupir de carne de sol. e feijão de corda. e andar pela beira daquele areal enorme. e ser feliz como só de férias a gente consegue ser. porque eu tenho andado com tanto por fazer que férias me parecem uma coisa assim tão virtual e distante...
Brisa
Manuel Bandeira

Vamos viver no Nordeste, Anarina.
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
Deixarás aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.
Aqui faz muito calor.
No Nordeste faz calor também.
Mas lá tem brisa:
Vamos viver de brisa, Anarina.

22.2.05

eu nunca gostei muito da danuza leão. mas dessa vez ela se superou. conseguiu, em um só artigo, ofender os portadores de deficiência, as mulheres, os homens, e deve ter um subtexto que ofende os homossexuais, tenho certeza. um horror isso. tô passada com tanto preconceito...
eu podia por o filme inteiro aqui... mas descobri um lugar com o libreto...
My Fair Lady
Music: Frederick Loewe
Lyrics: Alan Jay Lerner
Book: Alan Jay Lerner
Film: 1964

ELIZA
All I want is a room somewhere;
Far away from the cold night air.
With one enormous chair;
Oh wouldn't it be loverly?
Lots of choc'late for me to eat;
Lots of coal makin' lots of heat;
Warm face, warm hands, warm feet,
Oh wouldn't it be loverly?
Oh, so loverly sittin' abso-bloomin'lutely still!
I would never budge 'till
Spring crep over me winder sill.
Someone's head restin' on my knee;
Warm and tender as he can be,
Who takes good care of me;
Oh wouldn't it be loverly?
Loverly, loverly, loverly, loverly.

CHORUS
All I want is a room somewhere;
Far away from the cold night air.
With one enormous chair;

ELIZA
Oh wouldn't it be loverly?
Lots of choc'late for me to eat;
Lots of coal makin' lots of heat;
Warm face, warm hands, warm feet,
Oh wouldn't it be loverly?
Oh, so loverly sittin' abso-bloomin'lutely still!
I would never budge 'till
Spring crep over me winder sill.
Someone's head restin' on my knee;
Warm and tender as he can be,
Who takes good care of me;
Oh wouldn't it be loverly?

CHORUS
Loverly,

ELIZA
Loverly,

CHORUS
Loverly.

ELIZA
Oh wouldn't it be loverly?

CHORUS
Loverly,

ELIZA
Loverly,

CHORUS
Loverly.
Wouldn't it be loverly?
ontem eu vi my fair lady. adoro esse filme. a audrey hepburn está linda. as roupas são lindas. os cenários. as músicas... aiai... pena que a moral é tão chatinha... no fundo ela não podia terminar com henry higgins...
eu não aguento mais o chato do ancelmo gois falando do inglês no itamaraty. o cara ouve o galo cantar, não sabe onde, e faz uma tempestade. até hoje ele ainda fala disso. como se fosse algo assim, de diminuição da concorrência da prova. não é. a prova, aparentemente, pelo menos, se alguém ler o edital, ficou mais racional pros que corrigem. e agora não interessa mais passar em inglês. a pessoa tem de saber, e bem, todas as outras matérias. na verdade, aparentemente, a prova ficou mais exigente. até porque o tão propagado aumento de vagas não aconteceu...

21.2.05

esse é um post que quase não foi. pensei muito se ele ia existir. mas ele existe. ontem meu irmão teria feito 24 anos. e eu esqueci. fiquei estudando o dia inteiro, como a cdf que sou, e esqueci. só lembrei de noite. cheguei em casa, abracei minha mãe. isso explica ainda mais o cansaço que ela tem sentido. engraçado isso. a gente se protege tanto pra não se machucar que apaga as datas que magoam. não lembro o dia que ele morreu no calendário. lembro que era domingo de páscoa. e que passava o show dos rolling stones na tv.
estudando. o fim de semana inteiro. só parei para longas conversas ao telefone, tentativas de me entender comigo mesma. descansar e estudar sozinha. me tranquei na casa (vazia) da minha tia. dá medo uma casa daquele tamanho e vazia. fico ouvindo barulhos o tempo quase todo...
a bruxa anda solta. será que dá pras coisas acalmarem?

18.2.05

quinta feira de cinzas. vindo pro trabalho, no largo do machado avisto (eu e o resto do largo) uma moça de bikini agarrada a um gringo. pra fingir qe estava vestida, um lenço de croche com os pontos muito abertos. parecido com esses cachecóis que estão na moda, meio brilhosos. e o bikini era pequeno. e o lenço também. e o mendigo na minha frente, um dos muitos a virar pra ver o casal, fala, meio sem jeito: mas o carnaval já acabou...
aliás, vou passar a usar mais essa desculpa. sou um ser gregário. adoro gente...
lendo o noturno da lapa. me divirto com as estórias de um lugar que eu não conheci. ainda mais com um dos personagens sendo meu avô, que também não conheci. ri ao me deparar com uma estorinha que pra mim só aconteceria pós-celular. estavam todos à mesa do túnel da lapa(parecia simpático o lugar). lá pelo décimo chopp, meu avô sente falta de um amigo e comenta. luis martins pega o telefone na mesma hora e liga pro cara. que estava de pijamas em casa, claro. imagina que ele pegou o telefone do bar pra ligar pro cara. e que hoje em dia a gente pega o celular. mas é a mesma coisa. como ele diz, tentando se justificar de ter acordado o pobre moço, é que eu sou um ser gregário...