mas você gosta de chamar atenção...
gosto não...
na verdade, eu me acostumei a chamar atenção. e pra explicar isso? eu sempre fui mais branca que os outros, mais loura que os outros, mais alta que os outros. tá, parei de crescer cedo. mas branca e loura eu continuo. e chamar atenção é vício. soa errado quando não olham pra gente depois de um tempo. eu gosto de cores fortes. odeio usar tons pastéis. e o resto foi surgindo. e acaba que realmente eu chamo atenção. mas gostar? ah, se eu gostasse mesmo eu andava com melancia pendurada no pescoço... eu só não me incomodo. pra quem já teve cabeça raspada com franja rosa (tosca, pintada com anilina de bolo), o que uma blusa mais colorida chama de atenção não é nada. mal vira umas duas cabeças. e eu gosto de laços de fita. de sapatos de salto. de roxo. de dourado. me agrada o extravagante. que nem passarinho, corro atrás do que brilha. unhas coloridas. saias de cetim. veja bem, que acho tudo mais divertido assim. porque na verdade caiu uma ficha em mim muito cedo. olhar, sempre vão olhar pra gente. melhor chamar atenção pelo inusitado que pelo feio. pelo extravagante que pelo simples cafona. pelo diferente que pelo igual. sei lá. quero mesmo é minhas cores abarrotando o armário. minha roupa me fazendo de alegre. um dia aprendo a me vestir de adulta. de mulher séria que trabalha. eu tento. mas sempre acho que soa errado...
ele? usa calça jeans e camiseta cinza. quase sempre. acho um charme. tão diferente...
explica-se... na família, muito morena, nasce a loirinha aqui. meu avô olha, olha... e solta essa, nasci branca por cruza, algo deveria explicar...
aqui apenas os fatos são inventados
o essencial da arte é exprimir;
o que se exprime não interessa
fernando pessoa
21.8.07
20.8.07
ando consumista. e com vontade de comprar de um tudo, de revistas a roupas, bicicletas... se duvidar, compro um carro e finjo que tenho dinheiro pra isso.
ímpetos. vontades. engraçado é que a gente sabe que essas vontades não tem absolutamente nada a ver com a nossa vontade... que assim, desejo mesmo, era de viajar. de estar em paz, de ter um trabalho mais interessante, de poder chegar em casa do dia cansada e abraçar ele. e saber que tá tudo bem e ficar em paz. e não precisar de mais nada. e os dias não são assim, claro. são mais complicados. mas, engraçado, não menos felizes...
ímpetos. vontades. engraçado é que a gente sabe que essas vontades não tem absolutamente nada a ver com a nossa vontade... que assim, desejo mesmo, era de viajar. de estar em paz, de ter um trabalho mais interessante, de poder chegar em casa do dia cansada e abraçar ele. e saber que tá tudo bem e ficar em paz. e não precisar de mais nada. e os dias não são assim, claro. são mais complicados. mas, engraçado, não menos felizes...
16.8.07
esquecer quem eu sou.
pra poder escrever, preciso me esquecer.
difícil tarefa pra alguém tão auto centrado. muito difícil. mas eu estou tentando.
tentando me perder em palavras. em livros. em letras, qualquer coisa.
porque existir dói muito. e a dor não fica bonita em palavras quando é assim tão verdadeira.
ela fica suja. o texto fica sujo. fica dolorido pra quem escreve, não pra quem lê.
tergiversar sobre isso é tentar me livrar dessa dor. pra tentar escrever sobre ela, não com ela. e escrevendo sobre ou a partir dela, ela não participa. ela se distancia de mim. e se encontra depois quando a gente lê. eu imagino assim o texto.
um parto. mas a dor é de quem lê. a minha fica em outro lugar...
pra poder escrever, preciso me esquecer.
difícil tarefa pra alguém tão auto centrado. muito difícil. mas eu estou tentando.
tentando me perder em palavras. em livros. em letras, qualquer coisa.
porque existir dói muito. e a dor não fica bonita em palavras quando é assim tão verdadeira.
ela fica suja. o texto fica sujo. fica dolorido pra quem escreve, não pra quem lê.
tergiversar sobre isso é tentar me livrar dessa dor. pra tentar escrever sobre ela, não com ela. e escrevendo sobre ou a partir dela, ela não participa. ela se distancia de mim. e se encontra depois quando a gente lê. eu imagino assim o texto.
um parto. mas a dor é de quem lê. a minha fica em outro lugar...
15.8.07
são paulo continua a mesma. o que quer dizer que mudou tanto desde que fui lá em janeiro (ou será fevereiro?). eu gosto daquela cidade. gosto das ruas estreitas que não formam quarteirões perfeitos. e mudam de nome. acho pitoresco mudarem de nome. e delicioso me perder no meio delas. confesso que fico que nem criança seguindo quem quer que finja ao menos saber onde está. gosto de existirem lugares, muitos para se comer sanduiche (tenho 7 anos, nunca repararam? dieta básica é pizza e sanduíche), mesmo sem ninguém ainda ter me perguntado se quero meu hamburguer bem ou mal passado. gosto de andar a esmo na liberdade, de todas as piadas amarelas a respeito disso. e comer na liberdade. na rua, nos pés sujos chineses, nos japas de uma só portinha. gosto de saber que existe uma rua só com vestidos de noiva. mesmo que eu saiba também que, na possibilidade de um dia casar, o vestido não seria de noiva (certezas de infância isso). gosto de saber que posso comer um bauru, uma pizza, um árabe. do serviço de são paulo. bom, fora as comidas, gosto de andar no ibirapuera e saber que existe o mam. de ir na pinacoteca e ser cada vez surpreendida por outra e mais outra exposição. de ver o masp. de ver o itaú cultural. de entrar na galeria ourofino. de.... ai... são paulo não pode parar, nem eu em são paulo. saio com as pernas doídas. um cansaço brutal. precisando de férias das férias. feliz. pensando em voltar. pensando que posso viajar. que preciso estar só. e que são paulo não deixa de ser isso, não? estarmos assim meio sós naquela multidão...
eu sumo e apareço. e sumindo e aparecendo vou tentando cerzir a vida, que já nasce assim, cheia de buracos, não? vez em quando me sinto assim mesmo, uma agulha que entra e sai de dentro do tecido. ando tentando furar o pano e sair do lado de lá. teoricamente todos queremos o lado de lá. onde tem luz. onde tem outras agulhas. eu confesso ter certo prazer no escuro, na solidão. talvez seja medo da luz. agorafobia.
15.7.07
eu não ia falar do pan. não ia. mas daí, vejo que vaiaram o lula e os americanos na abertura. e a vergonha foi tanta. de tanta falta de educação numa cerimônia. que eu precisei escrever. vergonha de ser carioca me consome nesse momento. a confusão das ruas. a multa das faixas laranjas. os estádios mal acabados (ou nem acabados). o desrespeito aos jornalistas que não são daqui. desrespeito e falta de educação. as marcas do pan do césar maia. que embolsou a grana pra fazer o metrô pra barra. pra fazer o estádio. pra tudo. e pediu pro lula no começo do ano mais um pouquinho, já que tinha exagerado no embolsar e não ia terminar nada. e puxou vaias pra ele na abertura. ixpetáculo. quanto mais eu olho ele, mais eu vejo o carlos lacerda. e mais vergonha eu tenho de ser carioca. agora até historicamente.
10.7.07
o bar. a noite. a fumaça. a bebida. tudo isso se mistura e a foto sai bonita, não? a vida parece mais bonita. quer dizer, há de existir quem não se sinta confortável. eu me sinto em casa. e desce mais um chopp. e acende mais um cigarro. e mais gente chega pra conversar. e o show começa e de repente eu não estou só. e isso é tão estranho. e ao mesmo tempo tão vivo. boêmia. saudades da boêmia, ando sendo assim tão comportada. e é verdade que isso é parte da gente. tenho percebido. como isso nos dá a impressão de pertencimento. e justo quando não pertencemos a nada. ali não somos engenheiros, jornalistas, advogados, nada. não usamos uniformes, não falamos jargão. e nos sentimos pertencendo ao grupo instantaneamente. ouvimos a música, vimos o filme, lemos o livro. nada de currículos, nada de salários. uma brincadeira de igualdade social...
9.7.07
tentando fazer do escrever prática diária. falando do dia a dia. ou sei lá, pensamentos soltos. mas soltando a mão. como no desenho, soltando a mão. fui ao cinema ver paris de novo. paris te amo, se chama o filme. lindo. muitos pequenos filmes com paris de cenário e o amor de assunto. vários amores. emocionada eu fiquei. com tudo. eu me emociono fácil, sabe? mas o filme é bom. adoro falar de amor. adoro sentir amor. e o filme me lembrou como é bom isso. amor por alguém, por mãe, pela cidade, por uma criança. amar pelo amor. sei lá. vale a pena ver como as gentes vêem isso de amar...
5.7.07
3.7.07
ando querendo ir pra paris. alguém se habilita? vendo filmes passados na cidade eu lembro quão perfeita eu sempre sonhei aquela cidade. é preciso ter os pés no chão, eu sei. mas pés no chão são chatos e não enchem os olhos. o que enche os olhos, o que me deixa feliz de não poder mais é paris. é andar pelas ruas. entrar nos cafés. comer um tartare, beber um vinho. andar mais e beber um chocolate quente. tomar café naquelas taças engraçadas de manhã. usar saltos. paris deve ser vista de saltos. e meias. de preferência com foulard. entrar no cinema de noite e sair de manhã. sem isso ser um grande evento. croissants. porque nada mais gostoso. e enfim, fico sonhando com aquilo. falar francês e passar hidratante, porque a água tem cálcio demais. ouvir brell em paris... aiai...
27.6.07
quer se distrair? pensar em nada por duas horas? recomendo 13 homens e um segredo ou o que seja o nome. george (meu amigo onírico), brad pitt e companhia garantem boas risadas. e eu confesso, pra minha vergonha, que adoro las vegas. desejo conhecer um dia. ver qual é, sabe? afinal, o túmulo de todo kitsch do mundo não pode ser assim tão desinteressante. tem seu lado legal de tão feio...
o mundo volta a ter óleo nas engrenagens. não, nem tudo está perfeito. nunca está. mas as coisas se movem. e veja, temos sonhos. à escolha do freguês. sonhos de futuro, daqueles bem extravagantes. nunca ponho preço nos meus. não vale a pena, sabe? porque se o sonho é o desejo, pra que sonhar baixo? sonho baixo é realidade. é economizar 10 reais e comprar o sapato. se é pra sonhar, viajo pra veneza na primeira classe. e conheço o george clooney no vôo. ficamos amigos, mas eu dispenso ele. sabe como é, mesmo no sonho ainda me acho menina comprometida...
20.6.07
escrever é preciso. é preciso não esquecer disso. é preciso ler, escrever, dormir, beber, comer. ter prazer é preciso. é preciso seguir o desejo. e é difícil, muito difícil, saber o lugar certo de colocar o tal. então, é preciso pensar. e pensando, escrever, organizar, e assim, podemos de repente parar de pensar e ser. e ser é o tal do objetivo de existir. e tergiverso, que é meu jeito de falar que ando tentando organizar-me...
estranho isso, de nunca mais escrever. um dia deu vontade de novo. tá, um mês depois, mas deu. e apareço aqui, mas nem sei se mais alguém ainda se dá ao trabalho de ler...
ando cansada. as coisas andam complicadas. falta grana. falta saco. e pra piorar, como eu percebi que é padrão, quando as coisas não estão do jeito que eu quero, eu pioro tudo mesmo, fazendo um estilo tati quebra barraco que nem é assim muito bom. daí eu entro na casca e volto pra escrever aqui. e parece sempre que as coisas vão péssimas, e também nem é assim tão desastroso. só tá complicado.
mas hoje eu decidi. volto a escrever. em tudo que é lugar possível. volto a sair da casca. e como primeira providência, vou catar passagem barata pra ficar duas semanas na minha terra. e comer caranguejo e tomar sol que ninguém é de ferro.
ando cansada. as coisas andam complicadas. falta grana. falta saco. e pra piorar, como eu percebi que é padrão, quando as coisas não estão do jeito que eu quero, eu pioro tudo mesmo, fazendo um estilo tati quebra barraco que nem é assim muito bom. daí eu entro na casca e volto pra escrever aqui. e parece sempre que as coisas vão péssimas, e também nem é assim tão desastroso. só tá complicado.
mas hoje eu decidi. volto a escrever. em tudo que é lugar possível. volto a sair da casca. e como primeira providência, vou catar passagem barata pra ficar duas semanas na minha terra. e comer caranguejo e tomar sol que ninguém é de ferro.
17.5.07
então, sumida faz tempos. e me mandaram o link do site mais fofo. e entro aqui só pra passar adiante. porque eu me apaixono fácil, vejam bem... e fazer refeições em caixinhas é lindo. e explicar diariamente isso na internet é quase assunto de internação. mas quem trata de internação nem sou eu, é outro...
26.4.07
17.4.07
12.4.07
então. tomamos decisões e pagamos por elas. a tal responsabilidade, talvez. ando cansada demais. decisões demais, acho. no momento, uma noite de sono bem dormida viria bem. tenho sonhado com piscinas. óbvio demais (pra mim, meu pai afinal era nadador de competição, assim como 4 dos meus irmãos). tão óbvio que deve ser outra coisa. como outro dia uqe a empada tinha empadinhas no recheio. óbvio demais. ou então meu inconsciente anda mais preguiçoso que eu. e tá tentando ver se eu percebo as coisas assim de cara. eu gosto de sonhos. mas eles tem me deixado realmente cansada.
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