25.4.06


Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade.

20.4.06

só porque me irritou: o que diabos um homem que tem horror a pornografia foi fazer numa mostra de arte erótica? ver se tinha algo que ele pudesse fazer pra terminar com ela, é isso? tem mais, o tal quadro não tem nada demais. quer dizer, é feito com crucifixos, mas so what? censura me deixa perder a cabeça. e não entendo. é o mesmo tipo de gente que entra em comunidades no orkut ou em blogs somente para criticar os donos/paarticipantes. isso é, gente sem mais nada pra fazer além de vigiar os outros. e condená-los por não fazerem exatamente o que eles acham ser o correto. vi uma menina assim no ônibus. me deu um dó. uma raivinha. ela falava, pra todos ouvirmos, como "toma conta" dos coleguinhas no recreio. pra ninguém fazer nada errado... é tão bom fazer coisas erradas (e, no caso dos coleguinhas e do quadro, tão pouco agressivo aos outros)...
dormir. quero dormir. durmo mal tem uns dias. não é humano isso. fico assim, fazendo tudo pela metade. odeio fazer assim tudo pela metade. odeio arranjar erro onde não tem...
eu um dia consigo parar com esses vícios de linguagem. tô usando eles demais, até quando escrevo...

18.4.06

ando panfletária. tranquilamente panfletária, no entanto. ja não brigo mais por política, como tantos me viram fazer. não tenho mais fôlego. tenho minhas opiniões, ponho elas aqui. falo pra quem quiser ouvir. se discordarem, calo a boca. e só. ando calando muito a boca. pra muita coisa. acho que é a tal da idade, maturidade, sei lá. ando calando a boca pra muita coisa. mas isso é mentira. isso é o que eu queria. e eu continuo sendo a mesma. calo a boca só pros desavisados, pros que eu não acho que merecem gasto da minha saliva. porque pros outros eu ainda tento falar, argumentar, mostrar o outro lado da mesma moeda. e vou avisando que acho que voto no lula. mas tudo meio sem dogmas por enquanto. agora, falando sério, pra mim não existe outra opção. não anulo voto, questão de ideologia. tenho direito a minha. e não voto em psdbfl questão de respeito à minha história. então sigo votando em quem eu acho que apesar de muitos erros faz um governo com o qual eu concordo. não 100% mas 80 tá valendo. assumir as coisas faz bem vez em quando.
momento música. inspirado pela viagem. ispirado pelo dia. o inverno aqui em laranjeiras também é quase glacial. me cobrem consertar os acentos.

Cariocas (1994)
Adriana Calcanhotto

Cariocas são bonitos
Cariocas são bacanas
Cariocas são sacanas
Cariocas são dourados
Cariocas são modernos
Cariocas são espertos
Cariocas são diretos
Cariocas não gostam de dias nublados
Cariocas nascem bambas
Cariocas nascem craques
Cariocas têm sotaque
Cariocas são alegres
Cariocas são atentos
Cariocas são tão sexys
Cariocas são tão claros
Cariocas não gostam de sinal fechado...
Sampa
Caetano Veloso

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e Av. São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mas possível novo quilombo de Zumbi
E os Novos Baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa
Vaca profana
Caetano Veloso

Respeito muito minhas lágrimas
Mas ainda mais minha risada
Inscrevo assim minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Ê
Êê dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas

Segue a movida Madrileña
Também te mata Barcelona
Napoli, Pino, Pi, Pau, punks
Picassos movem-se por Londres
Bahia onipresentemente
Rio e belíssimo horizonte
Ê
Êê vaca de divinas tetas
La leche buena toda en mi garganta
La mala leche para los puretas

Quero que pinte um amor Bethânia
Steve Wonder, andaluz
Como o que tive em Tel Aviv
Perto do mar, longe da cruz
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk’s blues
Ê
Êê vaca de divinas tetas
Teu bom só para o oco, minha falta
E o resto inunde as almas dos caretas

Sou tímido e espalhafatoso
Torre traçada por Gaudi
São Paulo é como o mundo todo
No mundo um grande amor perdi
Caretas de Paris, New York
Sem mágoas estamos aí
Ê
Êê dona das divinas tetas
Quero teu leite todo em minha alma
Nada de leite mau para os caretas

Mas eu também sei ser careta
De perto ninguém é normal
Às vezes segue em linha reta
A vida, que é meu bem, meu mal
No mais as ramblas do planeta
Orchata de chufa si us plau
Ê
Êê deusa de assombrosas tetas
Gota de leite bom na minha cara
Chuva do mesmo bom sobre os caretas
ando me prometendo nao falar de politica. mas nao guento vez em quando (e os acentos ficam pifando, isso e um saco. de repente somem). nao quento pessoas querendo que o governo tenha algo a ver com a varig. faliu por incompetencia. grandes melecas. a pan am faliu e o governo americano nao fez nada. porque incompetente nao merece ter empresa (veja bem, merece ter trabalho, carteira assinada, de preferencia, pra nao ficar sem previdencia, que incompetente tambem nao poupa pra velhice, que nem eu). inda mais de aviaçao. ou voces gostam de cair de aviao. que se nao tem competencia para gerir contas, vao ter para voar? credito nisso nao. tem mais coisas me aborrecendo. mas isso tem me dado nos nervos. porque as pessoas falam como se ajudar a varig fosse salvar o brasil. e eu nem sei de que.

na imprensa me irrita tambem o pouco caso com o fim dos titulos de divida podre do brasil. eles eram simbolo de uma dependencia economica infinda. que terminou. e dai? sem fogos de artificio? quer dizer que nao ajudar a varig e materia para um escandalo de pouco caso com a economia, mas conseguir resolver um problema real nao e nada. argh! ando irritada com a imprensa. muito irritada. e nao pretendo ser voluntaria nos jogos panamericanos.

17.4.06

tava tudo otimo. perfeito, ate. dai acordo com alergia. muita alergia. e preguiça, e vontade de berrar. pode isso tudo? cansei, acho que e isso. cansei. nao sei o que eu quero, mas quero mais. sempre vou querer mais. e isso me aborrece. esse eterno insatisfeito dentro da minha cabeça. fui ver uma peça. canto de gregorio. recomendo. gregorio ainda fala dentro da minha cabeça. acho que sempre falou. realmente doi muito um paradoxo.
fiz as contas erradas. vou passear e enquanto isso meu irmaozinho se muda. saco. viajo no finde errado. porque domingo eu nao estarei aqui e segunda, ele nao estara aqui... e pra piorar, tenho de reclamar disso sem acento.

30.3.06

mas já vai? tem certeza?
ah, nem sei, ia oferecer mais um copo de vinho.
ah, não tá indo? ué...
ah, entendi, queria não ter de sair não quer dizer que vai sair. perdão, ansiedade minha mesmo...
é, a gente nem jantou, ficou conversando mesmo... e o bem te vi nem veio ainda. será que me abandonou?
eu tinha uma pergunta pra te fazer: você é feliz?
é, eu sei que é clichê, mas sempre quis saber isso. se os outros são felizes. porque eu mesma vez em quando duvido disso. da felicidade, quer dizer. mas de repente tem gente feliz. dizem que no brasil.
não, não fui eu quem falou isso. gertrude stein, acho. eu gosto dela. da rosa.
ai que sono...
bom, ando abandonando isso daqui. mas certamente ninguém sente muito a falta. afinal, quase ninguém lê mesmo. mas fora meu mau humor, acontece que tenho ouvido incessantes reclamações sobre o que eu ponho aqui. vindas de quem nem lê. reclamou que eu me exponho. e me deixou irritada. porque quem se expõe sou eu. e se ponho letras que podem ser ele, podem ser. quem me conhece saberia a identidade com ou sem letra. quem não me conhece não faria idéia com ou sem letra. então fica assim. não abandono isso daqui. porque a exposição é minha. porque eu gosto da exposição, ou então nunca teria criado isso daqui. e porque não é uma enorme exposição. e me trouxe amigos queridos. que eu nem sempre vejo ou falo. mas que são queridos. e porque eu gosto. me faz ficar leve. me faz por coisas pra fora, me tira peso dos ombros. eu sei que eu já faço análise e isso tudo. mas não é a mesma coisa. e me faz bem. e gosto de ver como as coisas mudam. como eu fui mudando. não sei se amadureci. mas que ando mais quieta, ando. e mais pra dentro. e certamente a exposição mudou. talvez eu tenha aprendido o que é realmente exposição para mim e o que é problema dos outros. e a conversa me irritou, mas ele nem vai ler esse treco, então também nem sei por que escrevo. mas tá valendo. não sei porque escrevo metade dos posts por aqui...

16.3.06

Boa noite, entre, sente, por favor, fique à vontade.

Quer um vinho? Branco ou tinto?

Eu também prefiro tinto, não sei explicar, mesmo no calor, me agrada mais. Branco tem de ser especial preu querer beber assim, do nada.

A cadeira está confortável? Não prefere sentar no sofá? Ah, entendo. Também acabo deitando em sofá.

Desculpas, esqueci de trazer, até fiz uns beijuzinhos com queijo pra gente beliscar. A gente vai sair pra jantar? Se quiser ficar por aqui, faço um macarrão.

Ai, eu e minha ansiedade, não repare, falta de hábito de ter gente em casa. Faz muito tempo só quem entra aqui fora eu é o sol, o bem-te-vi que vem cantar de manhã. Fico meio cheia de dedos, mas já passa. Vamos devagar mesmo, é melhor.

percebam. ando cansada. com tudo. e preciso de ferias de mim mesma. voces acham que eu posso?
acho que tem algo me dizendo pra ser menos mulherzinha. minha mae le um livro sobre nair de teffe. vejo um programa sobre cliterectomia. e eu fiquei pensando que ja fui mais feminista. aquelas coisas de women empowerment... entao, vendo como e horroroso o que fazem com as meninas nas aldeias da africa. e penso que uma menina brasileira me veio defender, dizer que era a cultura deles. era a nossa mulher ficar no tanque tambem, se ela prefere, volta pra la, po... eu prefiro acreditar nessa coisa de mulher ser forte. e ter papel importante e diferente do homem na cultura. nao porque tem sinapses ou quimicas diferentes. ams porque e diferente. e ser diferente e parte importante, sempre e melhor que ser igual. a gente esquece disso. que masculino e feminino precisam um do outro. nao so os estereotipos e as pessoas reais. mas sei la, ando meio que viajando com isso. adoro essa coisa de poder ser mulher vaidosa e poder trabalhar e estudar. mas vez em quando cansa. ser linda, loura, trabalhar, estudar, cozinhar, lavar, passar. eu quero ferias disso tudo. e quero ser mais nair de teffe. precisamos de mais delas aqui no brasil. ela era muito, mas muito divertida. e dava conta disso tudo, sabe? e com tal leveza que os homens so concordavam com ela. e assim parece tudo mais facil... repara na falta de acentos nao. vez em quando meu teclado cisma com o firefox...

9.3.06

porque a preguiça tem estado enorme. so isso. e nem os acentos do teclado tem contribuido muito. e a vontade tem sido de me enfiar de vez na concha de sempre. e pra piorar, ando tendo companhia pra ficar la por dentro. e ainda andei ficando gripada. e isso tudo, vontade da tal concha. tenho assistido ate american idol. pra piorar, descobri que meu predileto, o sway, sai essa semana. porque eu sou meio freak mesmo, se gosto de algo na tv vou atras na internet. de ver o final. e descobri que ele vai embora, ultima vez que ouço ele cantar. e to escrevendo aqui enquanto isso. ainda canta overjoyed. musica predileta de stevie wonder. sacanagem. nem o randy gostou dele. nem a paula. a aracy de calças e que nao vai falar bem. a tal da concha, viu so? me preocupo se um cara vai ou nao continuar no american idol. problema da concha. vou quebrar ela um dia, espero. mas nem meu analista anda muito confiante disso. anda me ligando se eu fico atrasada. parece ate que acha que eu vou fugir. nem tem como. ando me sentindo precisando daquilo mais que nunca. ando me sentindo precisando de um bando de coisa mais que nunca. pelo menos s. anda de bom humor, ja que tem me feito companhia na concha. e tem me ajudado com as coisas que preciso mais que nunca...

1.3.06

agora eu quero outro carnaval. pode? quero dançar loucamente, quero me fantasiar porque só saí de bruxinha esse ano. ficou faltando alguma coisa, sei lá...

reclamo, eu sempre reclamo. nada nunca está bom, eu sei. me deixem. que no fundo, tá tudo ótimo. e de verdade, eu ando feliz...
carnaval parado. só consegui ir no bola preta. s. resolveu que estava deprê. resolveu também que ninguém gosta de carnaval, é só fase. a minha dura 30 anos, expliquei. gosto. das fantasias. da zorra. da necessidade de andar a pé ou de metrô, nunca de carro. da música, principalmente. e da mangueira. mangueira que entrou linda na avenida. que me fez ficar emocionada como não fazia desde 2002. e que foi injustiçada. achei a vila feia. tá certo, fez desfile correto, mas feio. e não tenho nem o que falar da grande rio. o cão, atrasada, toda errada. a mangueira entrou inteira em verde rosa. como deve ser. de chorar de bonito aquele mar verde-rosa. e eu sou literal. porque mesmo subindo a serra pra fazer companhia pra tristeza de s., vi o desfile da minha escola pela tv. e chorei, e ri, e fiquei feliz por ter pelo menos visto os gritos de "é campeã". enfim, é um post desabafo. por um carnaval perdido. por ceder demais da conta. acho que ando boazinha demais.