Senhas (1992)
Adriana Calcanhotto
Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos modos
Não gosto
Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos modos
Não gosto
Eu aguento até os estetas
Eu não julgo a competência
Eu não ligo para etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
Eu compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos modos
Não gosto
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem…
explica-se... na família, muito morena, nasce a loirinha aqui. meu avô olha, olha... e solta essa, nasci branca por cruza, algo deveria explicar...
aqui apenas os fatos são inventados
o essencial da arte é exprimir;
o que se exprime não interessa
fernando pessoa
11.11.04
eu brinquei de trocar o nome do blog. ainda não sei se o nome novo fica. quem quiser dar opinião, é muito bem vindo...
a título de curiosidade, branca por cruza é o seguinte: quando eu nasci, branca e loura, meu avô olhou e disse duas coisas. a primeira era que minha mãe tinha sido incubadora, porque eu era a cara do pai. a segunda, que eu tinha nascido branca por cruza, que na família não tinha nenhum branco azedo assim que ele lembrasse...
a título de curiosidade, branca por cruza é o seguinte: quando eu nasci, branca e loura, meu avô olhou e disse duas coisas. a primeira era que minha mãe tinha sido incubadora, porque eu era a cara do pai. a segunda, que eu tinha nascido branca por cruza, que na família não tinha nenhum branco azedo assim que ele lembrasse...
Fico Assim Sem Você
Claudinho e Buchecha
Avião sem asa, fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola. Piu-Piu sem Frajola
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim
Amor sem beijinho,Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço, namoro sem abraço
Sou eu assim sem você
To louco pra te ver chegar
To louco pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço, retomar o pedaço
Que falta no meu coração
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Neném sem chupeta, Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada, queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes vão poder falar por mim
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Por que?
Claudinho e Buchecha
Avião sem asa, fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola. Piu-Piu sem Frajola
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim
Amor sem beijinho,Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço, namoro sem abraço
Sou eu assim sem você
To louco pra te ver chegar
To louco pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço, retomar o pedaço
Que falta no meu coração
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Neném sem chupeta, Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada, queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes vão poder falar por mim
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Por que?
eu ontem tava inspirada e musical, se me permitem. e como não quero falar muito, pra não me confundir (vez em quando eu falo tanto, ams tanto que eu nem lembro mais qual era o assunto, sabe como?). sendo assim, as músicas que eu ouvi ou lembrei vão aqui. eu ponho o que eu tava cantando, não é melhor do que usar isso como confessionário? até porque eu acho que nunca entrei num confessionário na vida pra saber como é...
Baioque
Chico Buarque/1972
Para o filme Quando o carnaval chegar de Cacá Diegues
Quando eu canto
Que se cuide
Quem não for meu irmão
O meu canto
Punhalada
Não conhece o perdão
Quando eu rio
Quando eu rio
Rio seco
Como é seco o sertão
Meu sorriso
É uma fenda
Escavada no chão
Quando eu choro
Quando choro
É uma enchente
Surpreendendo o verão
É o inverno
De repente
Inundando o sertão
Quando eu amo
Quando amo
Eu devoro
Todo o meu coração
Eu odeio
Eu adoro
Numa mesma oração
Quando eu canto
Mamie, não quero seguir
Definhando sol a sol
Me leva daqui
Eu quero partir
Requebrando um rock and roll
Nem quero saber
Como se dança o baião
Eu quero ligar
Eu quero um lugar
Ao som de Ipanema, cinema e televisão
Chico Buarque/1972
Para o filme Quando o carnaval chegar de Cacá Diegues
Quando eu canto
Que se cuide
Quem não for meu irmão
O meu canto
Punhalada
Não conhece o perdão
Quando eu rio
Quando eu rio
Rio seco
Como é seco o sertão
Meu sorriso
É uma fenda
Escavada no chão
Quando eu choro
Quando choro
É uma enchente
Surpreendendo o verão
É o inverno
De repente
Inundando o sertão
Quando eu amo
Quando amo
Eu devoro
Todo o meu coração
Eu odeio
Eu adoro
Numa mesma oração
Quando eu canto
Mamie, não quero seguir
Definhando sol a sol
Me leva daqui
Eu quero partir
Requebrando um rock and roll
Nem quero saber
Como se dança o baião
Eu quero ligar
Eu quero um lugar
Ao som de Ipanema, cinema e televisão
hoje, procurando essa letra, me toquei de uma coisa. o filme quando o carnaval chegar não é muito bom. mas eu gosto de absolutamente todas as músicas da trilha. tá certo, é do chico. mas são músicas do chico que eu bem gosto. eu lembro de, adolescente, ficar sentada no chão ouvindo esse vinil. e deitar, olhando pro teto, pensando em sabe-se lá quem. e achar que o chico tava lindo no filme. e que a nara tinha uma voz que me encantava. e que eu adorava a bethânia naquela moto, entrando pela casa. e que apesar de eu saber que o filme não era bom, eu adorava ele...
Cadê você (Leila XIV)
João Donato/Chico Buarque/1987
Para o filme Quando o carnaval chegar de Cacá Diegues
Me dê noticia de você
Eu gosto um pouco de chorar
A gente quase não se vê
Me deu vontade de lembrar
Me leve um pouco com você
Eu gosto de qualquer lugar
A gente pode se entender
E não saber o que falar
Seria um acontecimento
Mas lógico que você some
No dia em que o seu pensamento
Me chamou
Eu chamo o seu apartamento
Não mora ninguém com esse nome
Que linda a cantiga do vento
Já passou
A gente quase não se vê
Eu só queria me lembrar
Me dê noticia de você
Me deu vontade de voltar
João Donato/Chico Buarque/1987
Para o filme Quando o carnaval chegar de Cacá Diegues
Me dê noticia de você
Eu gosto um pouco de chorar
A gente quase não se vê
Me deu vontade de lembrar
Me leve um pouco com você
Eu gosto de qualquer lugar
A gente pode se entender
E não saber o que falar
Seria um acontecimento
Mas lógico que você some
No dia em que o seu pensamento
Me chamou
Eu chamo o seu apartamento
Não mora ninguém com esse nome
Que linda a cantiga do vento
Já passou
A gente quase não se vê
Eu só queria me lembrar
Me dê noticia de você
Me deu vontade de voltar
o arafat morreu. até aí, nem sei se é notícia (vamos ser sinceros, ele já saiu meio morto da palestina, foi pra paris pra ver se morrendo fora dava menos xabu). o que tá me deixando com a pulga atrás da orelha é como vai ser daqui pra frente. eu sei que tem gente que vai dizer que continua tudo igual. mas a figura dele era uma figura de união. ele tinha um lado de estadista, que ele assumiu depois que desistiu do lado terrorista (não deixa de ser irônico ele ir pra frança se tratar. quando era pequena, lembro dos avisos no metrô de paris contra os terroristas, do medo eterno dos árabes, herança de munique, talvez). sei lá, acho que estou tergiversando por aqui. mas tô curiosa pra saber o que sai desse saco de gatos que é a palestina depois do arafat...
9.11.04
exames infernais. parece que tenho de ficar de repouso. parece que eu tô pagando pela boca. sempre pedi um diazinho de repouso. deus ouviu e vai me dar vários. mas não quero pôr o carro na frente dos bois. vou esperar o médico me ligar, que eu deixei os exames com ele, pra saber o que fazer. até lá, não paro de fazer nada. até tô animada com os estudos...
Uma Didática da Invenção
Manoel de Barros
I
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com
faca
b) 0 modo como as violetas preparam o dia
para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas
vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência
num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega
mais ternura que um rio que flui entre 2
lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
Etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.
IV
No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava
escrito:
Poesia é quando a tarde está competente para
Dálias.
É quando
Ao lado de um pardal o dia dorme antes.
Quando o homem faz sua primeira lagartixa
É quando um trevo assume a noite
E um sapo engole as auroras
IX
Para entrar em estado de árvore é preciso
partir de um torpor animal de lagarto às
3 horas da tarde, no mês de agosto.
Em 2 anos a inércia e o mato vão crescer
em nossa boca.
Sofreremos alguma decomposição lírica até
o mato sair na voz.
Hoje eu desenho o cheiro das árvores.
IX
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa
era a imagem de um vidro mole que fazia uma
volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta
que o rio faz por trás de sua casa se chama
enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro
que fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
Manoel de Barros
I
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com
faca
b) 0 modo como as violetas preparam o dia
para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas
vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência
num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega
mais ternura que um rio que flui entre 2
lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
Etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.
IV
No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava
escrito:
Poesia é quando a tarde está competente para
Dálias.
É quando
Ao lado de um pardal o dia dorme antes.
Quando o homem faz sua primeira lagartixa
É quando um trevo assume a noite
E um sapo engole as auroras
IX
Para entrar em estado de árvore é preciso
partir de um torpor animal de lagarto às
3 horas da tarde, no mês de agosto.
Em 2 anos a inércia e o mato vão crescer
em nossa boca.
Sofreremos alguma decomposição lírica até
o mato sair na voz.
Hoje eu desenho o cheiro das árvores.
IX
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa
era a imagem de um vidro mole que fazia uma
volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta
que o rio faz por trás de sua casa se chama
enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro
que fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
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8.11.04
nada pra escrever, na verdade. a sensação de cansaço tem me derrotado na hora de escrever. simplesmente não lembro o que parecia interessante minutos atrás. a idéia desaparece no ar. provavelmente junto com os nomes das pessoas. um dia vou precisar voltar pra análise pra resolver isso. não tem jeito de eu decorar um nome, algo impressionante...
3.11.04
minto que fiquei em casa todos os dias. fui à praia domingo. dia lindo, praia linda. água fria, sol quente. protetor, pra proteger minha brancura, chapéu, só pra acharem graça de mim. minha amiga sugeriu que eu ficasse sem o chapéu... tadinha. não lembra mais da minha cara roxa de sol. essa relação minha com sol é de amor e ódio. adoro sair no sol, ir na piscina ou na praia. mas sei que não posso me descuidar de jeito algum. a pena é pele vermelha (por mais que só por um ou dois dias), coçando, queimaduras, insolação... demorei, mas aprendi...
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