explica-se... na família, muito morena, nasce a loirinha aqui. meu avô olha, olha... e solta essa, nasci branca por cruza, algo deveria explicar...
aqui apenas os fatos são inventados
o essencial da arte é exprimir;
o que se exprime não interessa
fernando pessoa
7.5.04
não consegui ir na aula ontem. e nem vi minha vó e nem fui ao show. fiquei me desentendendo com a natura pela web. eu não sei poruqe eu inventei de ser consultora dessa budega. tudo é meio complicado. e simplesmente perderam um pagamento que eu fiz. eu mandei o recibo do pagamento, mas eles não acreditam em mim, portanto não posso fazer pedidos. saquinho...
6.5.04
hoje o dia começou bem. fui ao dentista e não teve. no ponto pra voltar, tomei um banho de poça. de uma poça de um palmo, o motoristas deve ter mirado. engarrafamento numa hora que já não costuma ter pra vir pro trabalho. chegando aqui, minha vó não tava se sentindo bem. eita. ou o dia termina muito bem, ou realmente era melhor nem ter saído da cama. que tá quase comédia pastelão. a parte divertida foi ganhar um balão vermelho da tim. tá aqui comigo, andei com ele de ônibus pela cidade, que achei muito fofo pra jogar fora...
essa semana ainda não fui na faculdade. não teve aula nem segunda nem ontem. e terça eu fui ver minha vó, que não anda bem. minha vó não se sentiu bem hoje de novo. e tem show de antonio nóbrega... tô vendo que é capaz de eu não assistir nem um dia de aula na semana... mas acho que vou fazer um esforço. é sobre goeldi a aula. e eu adoro goeldi.
5.5.04
eu tô cheia de espinhas nas costas. vontade de arrancar o couro. odeio ter espinhas. odeio. já tive acne no rosto. tinha vergonha de sair de casa. agora é muito parecido. pra quem me disser que ninguém precisa mostrar as costas, mostro meu guarda roupa. é difícil não mostrar. e é feio, muito feio. me deixa triste. parece bobagem, mas...
quando de repente aparece uma certa tranquilidade, fica difícil entender daonde veio toda a angústia. a minha vem sempre do mesmo ponto. mas nunca descobri como esse gatilho é ativado. me sinto deslocada, fora de lugar, sozinha. uma carência maior que o mundo. parece que nem um ser humano pode entrar em contato comigo. pelo menos a recíproca é verdadeira. eu me escondo. eu fujo. eu tento fazer com que ninguém me siga. graças a deus, pra essa sensação diminuir, tenho amigos e família que gostam de mim, e não me deixam entrar fundo na viagem. o estranho é que ela está sempre ali. sempre latente. mas só se manifesta algumas vezes. pode ser só tpm, sei lá. pior que eu nem devia ter essas coisas mais...
4.5.04
isso aqui não pode ser sério. a heloísa helena pra presidente? eu ainda vi um deles fazendo slogans... sei que é importante ter uma voz dissonante. mas ela exagera. ela fica chata. se faz de vítima cruel do destino, que, imaginem só, deu dinheiro de forma desigual pras pessoas. deus não foi justo. nem com ela nem com um bando de gente, vamos ser sinceros. mas essa coisa de defensora dos fracos e oprimidos é definitivamente exagerada... tem mais. ela está a disposição do partido, desde que o partido concorde cm ela. isso é fogo pra mim. quer participar de um partido, é pra ser grupo. sendo grupo, as discussões são, na maior parte das vezes, internas. existindo posição de grupo, pode-se discordar, mas não bater pé como uma adolescente. em grupo, já defendi muitas idéias com as quais não concordava. nas coisas mais banais de faculdade, é claro. mas o espírito é esse.
3.5.04
O que será (À flor da pele)
Chico Buarque/1976
Para o filme Dona Flor e seus dois maridos de Bruno Barreto
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
Chico Buarque/1976
Para o filme Dona Flor e seus dois maridos de Bruno Barreto
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
eu preciso escrever pra por pra fora a angústia. ela tem me consumido, e eu não sei daonde ela vem. choro de noite, sozinha. me tranco no quarto e tento por a cabeça em ordem. e quanto mais eu tento, menos eu consigo. parece que as coisas giram e nada faz sentido. sábado eu tentei sair, tentei me distrair. e funcionou, por um bom tempo, tive uma tarde das mais agradáveis. mas foi só eu me sentir um pouco mais sozinha que as angústias voltaram. e quase usei o telefone no meio da madrugada. falei o que não devia ontem, pra quem não precisava ouvir tudo aquilo. porque nada é bem assim. porque a angústia toma conta e a cobrança é muito maior do que devia. comigo e com os outros. eu devia ter ficado calada, isolada no meu canto. preciso achar uma caixa e vedar ela bem, e me trancar dentro. dentro de alguns dias deve passar isso...
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